O G.I.T.A. constitui um grupo de pesquisa ligado ao Programa de Pós-graduação em Artes – PPGArtes e à Escola de Teatro e Dança – ETDUFPA, subunidades do Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará – ICA da Universidade Federal do Pará – UFPA. A sigla GITA designa, com as iniciais, o Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísico do Atuante. Nosso local de trabalho se localiza na “sala de corpo” (sala nº26) um dos lugares de afazeres artístico-pedagógicos da ETDUFPA, onde pesquisamos, em prática e teoria, pela rotina de 3 (três) vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, entre 09h00min e 12h00min. Participam do grupo alunos formados ou alunos egressos dos cursos de graduação Licenciatura Plena em Teatro, Técnico em Ator e Técnico em Intéprete-criador/Dança, sejam oriundos de outras graduações, sejam membros da comunidade externa à UFPA, e professores em geral. Entre os integrantes, um ou outro, costumeiramente, é contemplado, por ano, com uma bolsa de iniciação científica conferida por essa Universidade. O número e origem dos participantes variam de acordo com as pesquisas chamadas “matriciais” – que indicam um problema a ser investigado dentro de um assunto amplo –, e as chamadas “transversais” – que se especificam a cada integrante. Comumente, a cada ano são inseridas novas pesquisas transversais e, a cada biênio, novas pesquisa matriciais.

A atividade perene do GITA inclui, fundamentalmente, o treinamento psicofísico desenvolvido pelo professor norte-americano, residente na Inglaterra, Phillip B. Zarrilli. Nele fundamentado, trabalhamos, em sequência, artes marciais e meditativas possíveis de aprimorar, no atuante, a busca por uma atuação cênica proficiente, quais sejam o hatha yoga indiano, o t’ai chi ch’uan (taijiquan) wu chinês e uma das modalidades do kalarippayattu indiano. Em adição, conforme precisões peculiares no treinamento, oportunizamos a prática de trechos de outras artes marciais e meditativas, tais como karate-do shotokan japonês, t’ai chi ch’uan yang 24 movimentos, t’ai chi ch’uan Chen 19 movimentos e lao jia, o t’ai chi ch’uan Chen com espada e o arnis kali filipino, ativadores que são da potência inerente ao domínio psicofísico do atuante. Com relação às oficinas, utilizamos jogos, trabalho com bastões, improvisações e o “still moving research”, este último criado e desenvolvido pelo norte-americano Thomas Leabhart, discípulo do criador da Mímica Corpórea Dramática, o francês Etienne Decroux (1898-1991).

Em termos de procedimentos metodológicos, o GITA segue etapas representadas por uma espiral para onde se avança, mesmo que retornando ao ponto anterior, sucedidas, respectivamente, em treinamento psicofísico perene, oficinas, laboratórios, ensaios e apresentações públicas.

Entre seus objetivos, relacionam-se:

– Criar e sistematizar metodologias/procedimentos que privilegiem a formação do atuante cênico em sua totalidade (sem dicotomias do tipo corpo x mente);

-Estimular, metodologicamente, em cada integrante da pesquisa, a supressão de bloqueios psicofísicos debitados à falta de prática assídua do treinamento voltado a demandas da atuação teatral;

– Construir trabalhos cênicos que vislumbrem a etapa perene de treinamento psicofísico;

– Considerar o atuante como elemento suficiente, a priori, na feitura de quaisquer gêneros dentro das artes da cena;

– Estabelecer rotina de treinamento e oficinas internas do grupo em frequência independente de montagens de peças teatrais;

– Criar diferentes poéticas de cena fundamentadas em diversos gêneros e estéticas que destaquem o trabalho actancial sem antíteses corpo x mente, voz x movimento, oralidade x ação;

– Exercitar a não diferenciação entre dança, teatro, teatro-dança, dança-teatro e congêneres, advogando a característica de arte cênica, i.e. arte da cena e arte com atributos cênicos;

Suas metas de relevância são:

– Prover aos participantes do projeto (sejam artistas convidados, alunos dos cursos técnicos de teatro, música, dança e cenografia) com uma rotina de treinamento eficaz no controle de seu aparato psicofísico voltado ao aperfeiçoamento do desempenho actancial;

– Possibilitar aos integrantes do projeto a emancipação do treinamento conforme forem inseridos novos procedimentos metodológicos a este direcionados;

– Apresentar o andamento da pesquisa, regularmente, em seminários, peças teatrais, jornadas científicas, outras universidades e festivais de teatro;

– Integrar-se à comunidade de artistas, arte-educadores e conhecedores da prática do treinamento do atuante cênico, promovendo intercâmbios por meio de variadas modalidades;

– Ir à comunidade externa ao meio acadêmico com o fito de apresentar trabalhos cênicos seguidos de debate e cursos.

Como hipóteses de nossos estudos, admitimos que: a) o treinamento psicofísico do atuante cênico, frequentemente, ainda dissocia mente e corpo; b) as artes marciais asiáticas privilegiam as interações entre corpo e mente; c) os princípios de integração entre a mente e o corpo, verificável nas artes marciais e meditativas asiáticas, podem resignificar as práticas tradicionais de treinamento psicofísico do atuante.

Sumarizando esta apresentação, vimos concluindo que as investigações do GITA, em amplo escopo, propõem-se à consecução de pesquisas de caráter teórico-prático (pesquisa-ação) que contemplem o desenvolvimento e construção de procedimentos metodológicos para o treinamento psicofísico do atuante cênico.

Cesário